dezembro 19, 2010

Não há nada melhor

Que passar meu tempo com vocês.
Não há.


novembro 26, 2010

Ruídos audio-verbo-visuais

São só palavras, menina.
São só fonemas, sons, cantigas cansadas.
São só imagens, numa disposição casual ou causal dos objetos, das pessoas.
São só ruídos.
Ruídos internos vomitados pra fora.
É tudo só sujeira.
Infortúnios cômicos, irônicos.

É tudo só amor,
Ou ódio.
Ou é tudo só a busca por um e esbarrão em outro.

São só palavras desgastadas.

Nena,
A junção casual e causal dos ruídos:
É só o que quero mesmo da vida.

novembro 17, 2010

Àquela ruiva

Quando eu a conheci,
Ela ainda tinha o cabelo cor de noite cheio de faíscas vermelhas, laranjas e amarelas.
E para mim o cabelo dela era lindo.
Ela veio até mim com um jeito tão fora do comum.
Ela tinha uma segurança que eu quis ter.
Ela era completamente imperfeita.
E eu sempre tive uma propensão para coisas imperfeitas mesmo.
Eu a conheci no momento exato em que me tornava adolescente.
Não que naquele momento eu soubesse disso.
Mas quando eu a conheci eu soube que ela era tudo que eu queria ser.
Segura e imperfeita.
Ela dizia coisas fora do politicamente correto.
E não estava nem ai para nada disso.
E ela vivia um amor fora dos contos de fada que eu conhecia.
E ela dividiu todo esse amor comigo.
Ela dividiu as amizades e inimizades comigo.
Dividiu o amor e ódio aos pais.
Ela até teve a coragem de me mostrar que não era tão segura de si assim.
E eu aprendi de uma vez por todas que ela era perfeitamente imperfeita.
E que eu, explicitamente imperfeita, poderia ser assim como ela:
Encantadora.
E eu então percebi o quanto eu era segura de mim mesma!
E ela continuava na minha vida sem saber que eu existia.
Que eu não perdia um capítulo da vida dela.
Quando me dei conta de que ela era só uma personagem.
E esse amor todo se transpôs para quem a interpretava.
E ela era linda.
Agora já com o cabelo cor de fogo.
E descobri que a voz dela era de gralha.
A mais afinada das gralhas.
E as duas meio que se misturaram.
Para mim, eu sabia perfeiamente diferenciá-las.
Mas isso era quase impossível.
As duas juntas eram a garota que eu sempre quis ser.
E se todos nós temos um herói,
Ela foi a minha heroína.
Em verdade,
Não sei se Roberta Pardo
Ou Dulce Maria.

novembro 14, 2010

Pescoço

Sobe a nuca
Desce a nuca
Meus olhos se movem feito pernas

Direita
Esquerda
Seu pescoço se deita
Obliquamente
Sobe a nuca
Desce a rampa da nuca
Meus olhos brincam com seus poros
Como se fossem dedos
Esquecendo-se de que são tão apenas
Olhos

E só olham.

novembro 07, 2010

1kg de arroz barato

Numa quinta feira à noite
Havia um parque no meio do caminho
E ficamos pelo meio do caminho mesmo
Que o parque tinha o propósito da bebida e da companhia.
No meio do caminho havia um parque
Longe de ser de diversões
Mas era óbvio,
Ficaríamos no meio do caminho.
Que estarmos no parque
Seria a diversão da noite.
E o resto eu deixo de comentar,
Que o final foi mórbido.
Vômito, tontura, roupas sujas de terra
E um estranho arranhão acima da sombrancelha direita.
Mas valeu o arroz barato.
Valeu o porre e a ressaca.
Valeu ter visto as estrelas como se fossem as únicas.
As últimas.

novembro 01, 2010

Eu estava ouvindo vindo para cá

Para ,

Sempre, para o incerto da vida.

Não que seja mais certo do que aqui.

Mas para ,

Que eu sempre costumo ir.

Ao encontro dos sorrisos certos que conheço.

Para o colo dos donos de meus genes tão certos de que estou errada.

Ao passeio inseguro e insólido que é a vida.

Que eu estava vindo para cá

Para contar tudo aquilo que desconheço.

E eu ouvia.

Sorria, a alma certa de que existe.

E eu estava ouvindo vindo para cá

Eu ouvia enquanto via luzes;

Mystery Jets

outubro 22, 2010

'Em quando' caminho pelas ruas

Os pés num compasso descompromissado
Com as mãos nos bolsos de um casaco
Eu sinto o tecido na pele
Sem lembrar de senti-lo
E o vento que corta carinhosamente meu corpo
Arrepia meu cabelo mal cortado
Quando eu ando pelas ruas
Não lembro de sentir as coisas
Os pés encostam e pressionam o chão
Sem que eu dê algum valor a isso
E eles continuam tentando empurrar o mundo
Eu não sinto
Não me atento
Mas ao invés disso,
O chão é que me impulsiona pra frente
E eu continuo
Enquanto caminho pelas ruas
Enquanto digo felizmente algo
À alguém que me acompanha
Enquanto não lembro que existem substantivos abstratos
Por que enquanto eu caminho
É tudo concretamente real
Até mesmo a minha abstração é concreta.
E os pés não param
Por que eu ainda não quero parar.

outubro 10, 2010

Eu joguei uma pedra na cabeça da minha mãe


Essa seria a minha versão para "Eu matei minha mãe" -filme de Xavier Dolan.

Afinal, todos temos uma versão de amor e ódio aos pais
E talvez ainda mais especificamente às mães.

Que ela é tudo que tenho
E tenho mais um milhão de coisas que não são ela
Mas eu a tenho em mim
E isso já é o suficiente para tê-la em tudo que ela não estiver

E pouco mais de 24h atrás ela me disse explicitamente:
"Senti uma pedrada na cabeça quando percebi que você fez isso."

Joguei uma pedra na sua cabeça
Só por ser quem eu sou sem uma reflexão existencial disso

Tire as minúcias, mãe!
Que ouvir isso de você
Foi como receber pedradas na face.
Igualmente.

setembro 28, 2010

:*

Sou apaixonada por você, amiga.
Daquele jeito 'quero ser como você'
Mas não quero.
Por que sou minimamente bem resolvida
Para gostar de ser quem sou.
Contando que minha vida esbarre em suas mãos várias e várias vezes
De mãos dadas em momentos inesquecíveis,
Explicáveis apenas pela amizade.
Que eu chamo de amor.

setembro 13, 2010

Desastrosa

Quero errar mais convicta.
Com mais certeza disso e daquilo.
Quero errar acertanto.
Me intrometendo na vida.
Interrompendo os espaços vazios.
Quero erros singelos e escorregadios.
Quero ser acerto nos meus erros cotidianos,
Quero errar mais convicta.
Mas quero convicções flexíveis!
Muitas delas.
Cabíveis em mim e descabidas do mundo.


E que eu acerte ao tomá-las como minhas.
Convicções queridas,

agosto 22, 2010

Sozinha.
E cheia de botões pra conversar.
Mas sem nenhum que me diga algo.
Costurando uma ideia ali e outra lá.
Enroscando minhas pernas uma na outra.
Esticando o tronco.
Sentido os músculos no pescoço.
Esquentanto as pregas vocais,
Com um do ré mi desafinado.
Desajustado.
Mas meus botões aplaudem.
E isso já me satisfaz.
Sem um pingo de nada de filosófico.

agosto 17, 2010

O que eu sinto

Pode ser qualquer coisa.

Menos
Uma saudade fina e estreita,
Compriiiiida...
Capaz de alcançar todo o meu passo...
Capaz de atravessar meu corpo de ponta à ponta.

Isso
Eu não admito seja.
.

agosto 15, 2010

Marco

Talvez essa seja a coisa mais fútil que eu possa te dizer,
Mas não seria mentira nenhuma
Mesmo dizendo...
Mesmo se não a dissesse.
.
Ah! Garoto... você é lindo.
.
E guardadas as futilidades,
Adoraria ficar com você o resto da noite.
O resto do restante dos dias.

Mas foi rápido.
Êfemero.
E já se foi.







agosto 13, 2010

Eu,

Que não tenho asas.
As herdei de meus pais.

agosto 10, 2010

Dear Rivers Coumo,


Eu já pensei que me casaria com você acredita? Você está ficando cada vez mais velho e é agora que eu estou crescendo. Disseram que Weezer virou uma tia velha acredita, Rivers? Tenho que admitir que Say ain't so ainda mexe mais comigo do que I'm your daddy. Mas eu ainda passo dias inteiros ouvindo sua voz, de antes e de hoje. Mas você já tem uma vida inteira sem mim. Tudo bem. Eu não ligo. A menininha de antes vai continuar sonhando num casamento com o Rivers de antes também, aquele que cantava "I think I'd be good for you, and you you'd be good for me..." pra ela. Lá no passado ela ainda sonha com você, e sempre vai sonhar. Mas por hoje seremos amigos okay? Daquele tipo de amizade com admiração. Que talvez, um dia quem sabe, arranhemos nossas vozes juntos. Tá legal, eu sei, eu sei... continuo sonhando alto de mais. Ah! Rivers... você, então, me aparece com Memories... Não, Weezer não é tia velha coisa alguma! Weezer tem algo incrível que eu admiro sempre. Ouço sempre. Cada CD, cada música numa particularidade admirável. Weezer que já deixou de ser faz tempo aquela banda rotulada de 'nerd'. Weezer que é uma banda, digamos, bastante experimental. Ah, Rivers... pra ser sincera eu não entendo nada de música. Mas eu gosto. Amo. E tenho vontade de dizer o que penso sobre aquilo que gosto! E eu gosto de você. Gosto da sua Banda. Da sua Música.

Sim, eu sei... Carta sem um objetivo aparente.
Beijo Rivers. I love you.

agosto 08, 2010

1/4

Só não olhe pra mim,
Que não mereço nem um terço de sua atenção.

Um quarto me parece mais cabível.

Então, de relance, olhe pra mim,
Durante um quarto de segundo,
Minuto,
Hora,
Dia,
Mês,
Ano,
Década,
Um quarto de sua vida, se preferir.

Um quarto de seu pensamento.

Um quarto num canto de seu quarto.
Já me é suficiente,
Tanto faz.

julho 22, 2010

Para mim




Não especialmente,


Por que hoje é um dia comum.




Mas confesso,


Meu especial dia comum.

julho 21, 2010

Mal-estando

Ele não estava muito bem
Insistiu pra que eu fosse embora
Chegou a quase levantar a voz
E eu, emburrada, fui.
Entrei às pressas na primeira perua
Mas antes de ir, eu tinha dito a ele:
Se cuida.
E me fechei num bico.
No caminho ele me ligou
Eu perguntei se ele estava bem,
E ele respondeu um simples:
Eu vomitei.
Desculpa, mas eu precisava que você fosse embora pra eu poder vomitar.
E eu pensei comigo,
Queria poder ter segurado o cabelo dele.
Mas ele tem o cabelo tão curtinho!
Louca imaginação a minha,
Mas bem que eu queria.

julho 16, 2010

All


Do que se espera
Talvez pouco se consiga

O pior é que espero muita coisa
Ou melhor,

O melhor é que espero muita coisa

Porque ao não esperar nada da vida
Não se consegue nada da vida

Eu espero que a vida viva muito em mim
Até que eu morra

E espero que você espere tanto quanto eu da vida,
Tudo.

julho 04, 2010

Pensamento estéril


Digo aos meus pais
Que sei me cuidar

Digo a conhecidos
Que o governo é que não cuida de nada

Digo ao sertão nordestino
Que a culpa é da seca

Digo à família Marinho
Que me orgulho da tv brasileira

De tanto que eu digo,
É capaz que meus pais acabem acreditando em mim
De tanto que já disseram -dizem e nada fazem-
O país já até se conformou com um governo assim.
De tanto que a tv Marinho nos enrola a cabeça
Eu e os nordestinos,
Nem nos damos conta sobre a verdadeira Indústria da seca.

julho 03, 2010

Pasárgada


Me leva pra praia...
Antes de o dia acordar.
Quero ir na garupa de sua mão
Me leva logo pra perto do mar.
Só pra fingirmos que escapamos dos problemas
Vendo o sol ainda frio se levantar
Me leva,
Me leva?
Que eu te quero perto
Em qualquer outro lugar.

junho 30, 2010

Correspondência

Corresponde.
Quando se responde a uma pergunta,
Inquietação.

Correspondência quando há uma relação de mão dupla
Vai e volta
Em sintonia
Ou talvez quase sintonizada.
.
É bom saber que se ama
E de uma forma ou de outra o sentimento parecer correspondido
Na simples resposta
Gostar.
.
Que as intensidades são mesmo distintas
Que as formas são mesmo pessoais
Mas que o essencial,
Essencialmente se corresponde.


junho 26, 2010

Coisas


Quando se tornam obrigações...
Eu as odeio.
Se tornam insuportáveis quando as tenho que fazer por simples costume
Por que o meu senso comum diz que é dessa forma.
Odeio o peso colocado nas costas
Ainda que talvez seja eu mesma que o coloco.
Mas não o deixo de odiar por isso.
Ainda que a palavra odiar seja um tanto quanto forte,
E muitas vezes eu a pode de meus discursos
Por hoje a quero enfatizar,

junho 24, 2010

Curso Superior de Audiovisual ♥

A vontade é enorme
O esforço tem que ser proporcional.





junho 21, 2010

Avó

O coração fraquinho
Quase se esquecendo de pulsar
Minha mãe segura a mão dela
Ela diz que já teve a minha pele.
A mão dela toda enrugada
Mergulhada na água há um bom tempo
A mão da minha mãe no intermédio
E a minha mão ainda no começo dessa sensação de tédio
Tédio da vida.

Minha avó perguntou,

Não sei se pra ela mesma ou se pra mim,
Por que ela ficou assim
E a responta que eu sei vó,
É uma só.
Aquela que todos nós sabemos
Mas não a quero lhe dizer
Não se faz necessário no momento.

Eu vi as pernas dela tremerem, se amolengarem
E deu medo.
Medo do certo da vida.
Aquele medo brutal
Do tédio da vida.

junho 18, 2010

De leve


Faz-me rir.
Faz-me gargalhar.
Faz-me apenas sorrir,

Com os lábios,
Olhos de leve amanteigados.
Faz-me pôr pra fora sinceridade
Faz-me ser quem gostaria
Faz-me estar ao seu lado muitas vezes sem estar de fato
Faz-me rir.
Faz-me gargalhar.
Faz-me acreditar
Seja lá no que for...
Faz-me pôr.
Faz-me ouvir,
Sem necessariamente escutar
Faz da brisa, ventania.
Faz.
Sem a mínima dúvida,
Faz em mim,

Aos poucos, moradia.

junho 15, 2010

Em tempos de Copa...




Meu pai me disse:


"Lembro dos meus doze, treze anos, quando a gente ouvia Mané Garrincha e Pelé na Copa... tudo no rádio! Não tinhamos a menor ideia dos rostos deles...
Eu não sabia nem que Pelé era negro."


Aproximadamente


Bons tempos, bons tempos aqueles amiga
Em que éramos mais ou menos puras
E não pensávamos em mais ou menos nada
Não que fôssemos puras
Ou que não pensássemos em nada
Mas estávamos no mais ou menos
Meio termo
Éramos jovenzinhos e nada mais
Meros jovenzinhos no passo do amadurecimento.
Mas quer saber amiga?
Bons tempos, bons tempos estes também
Em que já andamos com passos mais ou menos maduros
Mais ou menos sim!
Não amiga, não se espante
Cheguei à conclusão de que a vida é exatamente o meio termo
Então os bons tempos serão a vida inteira!
Continuemos então, amiga
Com nossos passos mais ou menos estáveis
Continuemos com o nosso mais ou menos apego à vida
Que ela se esvai num instante
E enquanto durar,
Eu sei,
Continuaremos sendo amigas.